Sérgio Vaz: A Voz Poética das Periferias Brasileiras



 Sérgio Vaz nasceu em Minas Gerais, mas foi em Taboão da Serra, São Paulo, que sua voz encontrou o espaço e a força para transformar realidades. Criado em um ambiente onde os desafios eram uma constante, ele desenvolveu uma paixão pela poesia e pela cultura, ferramentas que se tornariam sua base para lutar contra as desigualdades e dar voz às periferias. Desde jovem, Vaz entendeu que a arte poderia ser um canal poderoso para a transformação social, e seu sonho passou a ser construir espaços onde a comunidade pudesse se manifestar e encontrar apoio.

Em 2001, Sérgio Vaz deu um passo decisivo nesse caminho ao fundar a Cooperifa, a Cooperativa Cultural da Periferia. O projeto começou de forma simples, como um sarau em um bar, mas logo se tornou uma iniciativa única. A Cooperifa virou um palco de expressão e reflexão para moradores das periferias de São Paulo e logo ganhou reconhecimento nacional. 


Esse movimento cultural abriu portas para escritores, poetas e artistas que, muitas vezes, encontraram barreiras na indústria cultural e na sociedade em geral. Na Cooperifa, suas vozes ecoavam sem censura, trazendo histórias de lutas, amor e conquistas das comunidades.

A poesia de Sérgio Vaz é direta e impactante, abordando temas como o racismo, a desigualdade social e o cotidiano periférico com uma linguagem acessível e rica em metáforas. Obras como Colecionador de Pedras e Literatura, Pão e Poesia são exemplos de como ele transforma palavras em resistência e esperança. Vaz não escreve apenas para as periferias; ele escreve sobre elas e, principalmente, com elas, criando um diálogo que une crítica social e beleza poética.


Reconhecido tanto nas comunidades quanto pelos críticos literários, Sérgio Vaz é hoje um dos principais nomes da literatura periférica no Brasil. Sua trajetória mostra o poder da arte como uma forma de resistência e construção de identidade. Ele não apenas democratizou a literatura, mas também transformou vidas e atraiu muitos a perceberem que suas histórias merecem ser contadas.



Assista:




REFERÊNCIAS:

BASTOS, Maria Cecília de Souza; RODRIGUES, Bruno Lima. Cooperifa e a poética da periferia. Revista Brasileira de Ciências Sociais , São Paulo, v. 62, pág. 57-73, 2006.

RAMOS, Marcelo. Literatura periférica: resistência e poesia nas periferias brasileiras. Revista de Literatura e Cultura , v. 2, pág. 90-105, 2014.

VAZ, Sérgio. Colecionador de pedras . São Paulo: Global, 2010.

VAZ, Sérgio. Literatura, pão e poesia . São Paulo: Global, 2008.


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